“A gente tem que sonhar”, Niemeyer

Foto: UggBoy♥UggGirl

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Infelizmente, não tive a oportunidade de entrevistar o próprio Oscar Niemeyer. Mas, há sete anos, conversei com Anna Maria Niemeyer, filha dele, e em outra ocasião naquela época com Peter Gasper, um lighting designer que faz o projeto de iluminação das obras do arquiteto desde, ao menos, a construção de Brasília. Foram duas matérias, diferentes, com duas pessoas intimamente ligadas ao mestre. Dois presentes inesquecíveis.

Sempre gostei muito de arquitetura e design. Fã desde criancinha de Oscar Niemeyer – meus familiares apontavam para as obras dele no Rio de Janeiro ou em São Paulo dando informações sobre elas -, imagine a minha emoção ao entrevistar a única filha do arquiteto. A moça que morreu em 2012 aos 82 anos trabalhava na empresa do pai à distância. Ela no Rio, ele em Brasília. Afinal, Niemeyer evitava voar de avião. “Meu recurso para enfrentar as intermináveis horas de medo é o uísque”, segundo uma entrevista que ele deu para a revista Veja.

Eu, com cerca de dois anos de formada. Do outro lado da linha, Anna Maria Niemeyer. Niemeyer! Liguei para o escritório e a atendente transferiu a ligação prontamente. Como será a Anna Maria? Ela será simpática? Pensava, eu, nos segundos que pareciam a eternidade. Enfim, era a Anna Maria do outro lado. Educada, tranquila, solícita, humilde. Conversamos calmamente durante menos de uma hora sobre o projeto – não lembro ao certo qual – de igual para igual. Quem diria? Enquanto outros profissionais tratavam nós, jovens jornalistas, de maneira completamente inferior, a filha e colega daquele que marcou para sempre a nossa identidade arquitetônica era cortês. Obrigada, Anna, por ter compartilhado comigo um pouquinho do seu tempo.

Outro do convívio íntimo do arquiteto, o alemão Peter Gasper, parceiro de Oscar Niemeyer, é um lord. Entrei em contato com ele para fazer uma matéria sobre um recente projeto seu – também não lembro certo o qual. Com voz baixa, rouca e calma, recordo que explicou todos os detalhes do projeto de iluminação – para quem não sabe, ele foi um dos precursores na consolidação na profissão de lighting designer (arquiteto da luz) no Brasil.

A conversa seguiu em um ritmo de bossa nova. Solícito, também humilde e muito educado, topou, inclusive, falar sobre seu trabalho feito com Niemeyer. Não estava na pauta, mas a tentação foi irresistível. Um gênio falando de outro. Quem perderia essa oportunidade? Eu apenas perguntava e ouvia como uma criança que presta atenção nas histórias contadas pelos pais. Discreto, Peter contou como era a parceria profissional. Para mim, disse algo como: “Faço com prazer o projeto de iluminação das suas obras”. Você já viu, por exemplo, a Catedral Metropolitana de Brasília durante a noite? Um desbunde, não? Obra do Peter Gasper – sou fã. Ele dá vida à arquitetura todo dia quando o Sol teima em brincar de esconde-esconde.

Foto: Guilherme Kardel

Foto: Guilherme Kardel

Dar a vida, foi mais ou menos o termo usado por Peter que abusa da criatividade ao lado do seu parceiro Niemeyer. Ele disse que era um desafio iluminar as estruturas do amigo, mas que desafio delicioso. Em uma entrevista dada hoje à Rede Globo, Peter disse: “Eu fico realmente honrado em ter sido amigo dele. Honrado em ter trabalhado com ele e honrado em continuar a trabalhar com ele. Ele se foi, mas eu continuo trabalhando com ele”. É isso, Peter. “A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”, disse Oscar Niemeyer.

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